Um espelho que reflecte a vida, que passa por nós num segundo (espelho)

19
Set 13

Ficheiros Secretos Pós-a/341

(a/Apocalípticos)


Serra de Monchique: vista do alto da Foia

 

Dia 26 – 01h 00mn

O despertador acabara ruidosamente por assinalar a uma da madrugada. Desde a meia-noite que os três verificavam – utilizando o terraço da habitação – cada vez mais movimentações de luzes deslocando-se duma forma relativamente concentrada em direcção aos pontos mais elevadas situados para lá do barrocal algarvio, enquanto que mais perto deles as serras situadas à sua volta se iam polvilhando de pequenos pontos mais movimentados e iluminados, onde as filas de automóveis se iam acumulando desordenadamente e em grande número interrompendo momentaneamente o trajecto seguido inicialmente na sua fuga, para assim decidirem pela certa e em segurança o que fazer de imediato e a direcção mais correcta a tomar: facilmente se verificaria por análise das imagens obtidas a partir do espaço aéreo e dos respectivos pontos visíveis através da luz emitida e concentrada em determinados locais da região, que as populações do Barlavento Algarvio se dirigiam maioritariamente para as serras do Caldeirão, do Malhão e de Monchique, enquanto que os habitantes do extremo leste da zona do Sotavento optavam pela fuga pelo interior sul do país em direcção ao Alentejo e à Estremadura espanhola. Outra porta de saída ainda activa estava localizada no aeroporto de Faro, onde os últimos aviões ainda disponíveis se preparavam para levantar voo face aos recentes avisos de tsunami eminente, que iria aquando da sua passagem destruir completamente as instalações do aeroporto e todas as estruturas de apoio construídas em seu redor: era assim compreensível o caos que se vivia por aqueles lados, com centenas de pessoas em pânico rodeando e invadindo as instalações dos terminais de passageiros, sem que se notasse a presença de qualquer tipo de pessoal ligada à segurança interna do aeroporto ou outra forma qualquer de apoio a situações similares de emergência. Nas imediações a Ilha de Faro estava completamente deserta e perdida no meio da escuridão, Faro quase que se esvaziara após alguns momentos de loucura e de alguma violência durante a realização da evacuação automóvel pela antiga estrada nacional em direcção a Lisboa via Serra do Caldeirão e até na barra do Guadiana em Vila Real de Santo António muitos barcos de pesca passavam a sinalização intermitente do farol, dobrando a bóia de sinalização aí colocada e dirigindo-se aceleradamente rio acima numa competição contra o tempo, com o único objectivo de atingirem a maior distância possível da foz do rio donde tinham fugido. E com algum atraso em relação à previsão inicial a primeira onda chegou à costa, galgando-a facilmente nos seus pontos mais baixos e avançando com toda a sua força e violência pelas planícies e pequenos vales que se iam abrindo à sua frente: se no norte de África as piores previsões se tinham confirmado com imensas extensões de terra destruídas e completamente alagadas e submersas – e com milhares de vítimas ainda por contabilizar; se no continente americano toda a zona da costa leste ia sendo apressadamente evacuada, face ao inexorável avanço da onda na sua direcção e à devastação e vítimas que ela iria certamente provocar; já no caso do Algarve a onda acabara de chegar, com a nossa inquietação a crescer exponencialmente face ao avanço da mesma, cobardemente encoberta atrás da escuridão profunda daquela noite. Só nos podíamos orientar quanto ao posicionamento aparente da frente da onda, pelas pequenas luzes que ainda se viam ao longe em direcção à costa e que se iam apagando sucessivamente à medida que esta avançava em direcção ao interior: pelo menos os que tinham atingido os pontos mais elevados poderiam adiar por momentos a morte que outros menos afortunados não tinham conseguido evitar. Enquanto isto se passava diante de nós as últimas notícias vindas dos EUA falavam duma declaração a ser emitida em breve pelo seu Presidente, aparentemente ainda em exercício e dispondo de todos os seus poderes constitucionais e executivos. Nas entrelinhas dalgumas informações que complementavam estas notícias apareciam aqui e ali alguns rumores para já muito dispersos mas aceitáveis – dada a situação anormal que se vivia actualmente – da implementação dum estado de emergência e de excepção de nível máximo, não só pelo que estava a suceder um pouco por todo o planeta e em particular nos EUA, mas também pelos boatos crescentes que afirmavam estar em curso um Golpe de Estado com implicações não só nacionais mas também globais, cujo objectivo há já muito tempo definido seria o de tomar conta do mundo, através da implantação do poder total das Corporações Mundiais adeptas duma Nova Ordem Mundial, sob o pretexto da queda do poder do estado – imprevidente, passivo e ineficiente face às consequências brutais deste Evento para o planeta e para a preservação da nossa espécie – e à necessidade urgente de reorganizar toda a sociedade e os seus sobreviventes sob um novo desígnio ultra-liberal, restritivo e patriótico, de modo a dar-se início a um inevitável e em muitos aspectos saudável recomeço. Por trás desta estratégia e assentando de novo em mais uma mentira monstruosa e letal, estaria mais uma fraude histórica preparada e perpetrada pelo verdadeiro poder norte-americano.


Sociedades Secretas: O Olho que Tudo Vê

 

Dia 26 – 02h 00mn

A partir dos finais dos anos oitenta com o aparecimento do Evento proporcionado pela queda do Muro de Berlim (iniciado em 1989) e pela lógica e subsequente reunificação da Alemanha (no ano seguinte) – sempre acompanhada nesse trajecto e em paralelo pelo início e pelo fim do processo que levaria à extinção da URSS (em Dezembro de 1990) – a Guerra Fria exalava o seu último suspiro, com o fim decretado pelo mundo capitalista do bloco adversário (o bloco de leste) e o desaparecimento definitivo do seu derradeiro baluarte, o Pacto de Varsóvia (que tinha como inimigo a NATO) – no dia 1 de Julho de 1991. Nesse contexto os EUA deixavam de ter um oponente visível e justificativo de todas as suas estratégias de controlo e domínio dos principais eixos motores da economia mundial, deparando-se agora com um grande problema de afirmação e de imposição do seu poder global, face não só à ausência de contraditório que justificasse pela negativa as suas futuras intervenções, assim como ao aparecimento de novas e poderosas potências emergentes que poderiam exigir a partir de agora não só a partilha da mais-valia obtida a partir da matéria-prima explorada em todo o planeta, como também a detenção da propriedade desses mesmos territórios produtivos, muitos deles selvaticamente concessionados a Corporações sem problemas de consciência e protegidas por mercenários armados e ainda por cima situadas em territórios soberanos, independentes dos EUA. E face a esta completa descaracterização de interesses e iniciativas de renovação de mercados, agora negociados sem concorrência nem necessidade de espectáculo e de violência, alguma opção teria que surgir de modo a poder continuar a proporcionar às elites a replicação contínua de chefias activas, que se esquecessem dos métodos ultra-egocêntricos aplicados e da deliberada falta de ideologia dos seus líderes. Não é pois de espantar que neste abrupto salto temporal necessário e inevitável de cumprir – de modo a garantir a prossecução do projecto previamente acordado – algo de novo e de fortemente comunicativo tivesse que surgir, nem que para tal se praticasse a mentira para se atingir o objectivo final: uma fraude gigantesca que construiu até ao mínimo pormenor a realidade dos atentados do 11 de Setembro com os golpistas ausentes raptando temporariamente o seu Presidente com o pretexto de garantir a sua protecção pessoal, que conseguiu levar os EUA até à Guerra do Golfo passando a culpa de outros para o ditador iraquiano, ainda há tão pouco tempo poderoso aliado do regime iraquiano na Guerra Irão/Iraque (com um balanço final de 1.500.000 de mortos e com a URSS a dar os seus suspiros finais), que se suplantou reeditando uma nova campanha muito mais mortífera e destruidora mas em contrapartida com elevadíssimos e lucrativos retornos em petróleo – mas agora com o filho do presidente anterior – e que neste momento particular da história dos EUA, face à crise económica global, à anunciada e prevista bancarrota dos bancos norte-americanos e à noção de que os abusos à Reserva Federal têm limites, lhes tinha aberto uma nova porta de entrada para uma nova encenação fraudulenta da realidade, manipulando subliminarmente a população mundial com uma hipotética e bem estruturada catástrofe prevista e confirmada, de modo a mobilizá-la mentalmente para um cenário apocalíptico e sem retorno, dominando e destruindo pelo medo as outras iniciativas indesejadas e sem retorno: a história inventada em torno do cometa ISON – e do seu papel central em toda esta apresentação pré-fabricada – era apenas mais um dos exemplos desta estratégia repugnante. Apesar de todo o caos instalado nas redes de telecomunicações e da queda de muitos dos mais importantes sites governamentais, como era o caso da NASA e de todas as outras agências directa ou indirectamente associadas, era claro para todas as outras organizações internacionais direccionadas para o estudo e investigação do espaço, que jamais o cometa ISON ou qualquer outro corpo celeste que hipoteticamente o acompanhasse poderia colidir algum destes dias com o planeta Terra, pois o ponto mais próximo de aproximação ao nosso planeta nunca distaria menos de 64 milhões de quilómetros.

Os apologistas da Nova Ordem Mundial tinham no entanto outras ideias e interesses a cumprir, sem possibilidade de apresentação de qualquer tipo de objecções ao seu cumprimento integral invocando meras formalidades de percurso, já que o que estava em jogo era a sua predominância planetária sob o guarda-chuva protector da entidade aliada estrangeira, fornecedora de tecnologia e da experiência revolucionária e prioritária para a evolução da espécie e para o início da inversão das infra-estruturas. Aglutinados no grupo radical e ultra-liberal Spartacus – em homenagem ao fundador da Ordem dos Illuminati, Adam Weishaupt – estes indivíduos e as respectivas corporações que representavam demonstravam bem com as suas atitudes activas e com o seu comportamento pouco ético, o que na realidade pretendiam e qual o método escolhido para o obter: estabelecer um Governo Mundial através  do fomento da corrupção e da chantagem, controlando todas as mais poderosas entidades financeiras e infiltrando simultaneamente governos não alinhados, tudo para poder controlar o mal não homologado no seu próprio nascimento e na sua própria origem.


Planeta X

 

Dia 26 – 03h 00mn

Já há muito tempo que as mais poderosas e influentes instituições do governo norte-americano, secretamente associadas às grandes multinacionais globais ligadas ao mercado prioritário do petróleo e ao mercado fictício e financeiro da bolsa – reprodutora de mais-valias reais (p/o capital), mas sem retorno intermédio (p/o trabalho) – tinham conhecimento prévio e privilegiado sobre a falsidade tornada pública à volta da notícia difundida repetida e premeditadamente por todos os órgãos de comunicação social mundial, implicando o cometa ISON na tragédia económica e social que já se verificava um pouco por toda a Terra e que em última instância lhe poderia provocar o seu fim e o de todas as espécies vivas (incluindo o Homem) existentes à sua superfície. Com todo o extraordinário e por vezes misterioso desenvolvimento científico e tecnológico registado surpreendentemente no decorrer de todo o fantástico e por vezes inacreditável século XX, com o impulso “diabólico” das duas grandes Guerras Mundiais e da subsequente e motivante Guerra Fria, muitos foram os instrumentos inovadores e revolucionários a serem postos de um dia para o outro, nas mãos da humanidade ou dos seus pretensos representantes: dispondo agora de telescópios como o HUBBLE, o FERMI e mais recentemente o de ATACAMA – e não ignorando a Missão Kepler, de caça a planetas semelhantes à Terra – seria impossível não perceber que todos estes fenómenos que assolavam a Terra actualmente tinham uma outra, mais simples, mais correcta e talvez menos dramática explicação. Era a própria NASA que informava – para quem a queria ouvir – já no distante ano de 1992, que desvios inexplicáveis observados nas órbitas de Úrano e de Neptuno, apontavam para a possível existência dum “décimo planeta” maior que a Terra, localizado nas imediações do Sistema Solar a mais de 10 biliões de quilómetros do Sol – o enigmático Planeta X. Posteriormente seria lançada a hipótese de se tratar dum outro tipo de corpo celeste – uma anã-castanha, uma protoestrela ou até um planeta em formação – até pelos dados e informações entretanto recolhidos e processados: um satélite astronómico utilizando infravermelhos e orbitando numa trajectória a mais de 800 km da Terra tinha detectado a mais de 80 biliões de quilómetros calor emitido por um objecto desconhecido.

Mas tudo isto não contribuía agora em nada para a resolução da tragédia que todos estavam a viver: se era agora certo que este corpo celeste com 4/8 vezes a dimensão da Terra – e com um período provável de dezenas de milhares de anos – estaria a provocar com a sua passagem e aproximação ao nosso planeta todos estes gravíssimos incidentes naturais, também seria correcto afirmar categoricamente que a NSA (National Security Agency) estaria deliberadamente a ignorar este facto e a projectar fortemente com alguma intenção obscura mas objectiva, a tese do cometa destruidor e renovador. Isto se por acaso existisse algum tipo de corpo celeste, planetóide ou não, Décimo Planeta ou outra coisa qualquer, que na realidade estivesse no trajecto ou imediações da Terra, tal era a barreira de informação e contra-informação vinda de todos os lados – incluindo do exterior, já que muitos sectores conspiracionistas mundiais acreditavam na existência duma aliança entre um grupo marginal de extraterrestres e estruturas de poder privado norte-americano talvez com algumas ramificações a outros países – com um objectivo perceptível e exclusivo: manipular as populações com a proliferação da táctica da ignorância, do medo e do terror e posteriormente apoiando-se nelas e nos seus cadáveres, lança-las como instrumentos ou máquinas de guerra sobre os seus inimigos e adversários (leia-se ex-aliados e potenciais concorrentes), eliminando deste modo a oposição à sua estratégia de conquista e ao mesmo tempo reduzindo drasticamente o excesso de população mundial.

E foi após este longo período de reflexão que decorreu durante mais de uma hora nas instalações do alto da Foia, enclausurados no cima duma serra pejada de sobreviventes incrédulos, aterrorizados e em fuga, que os dois amigos decidiram contactar as bases no Canadá e na Ásia que sabiam ainda activas: enquanto de Alert vinham algumas informações dum sismo de grau 7 na escala de Richter que abalara a região central do Árctico, até ao momento sem notícias de vítimas ou de outros danos materiais graves – e de que segundo informações confidenciais recebidas há minutos atrás, o corpo celeste ultrapassara já o seu periélio, afastando-se cada vez mais da Terra – da região do Tibete as últimas notícias veiculadas e transmitidas para o exterior e provenientes da cidade de Lhasa, reportavam-se a uma tranquilizadora estabilização na deslocação das placas englobando o Índico e o Pacífico. A própria Nova Zelândia, nascida das movimentações da placa do Pacífico e da placa Indo-Australiana e aí elevada a acima do nível da água do mar formando uma imensa ilha, tinha regressado finalmente ao nível de alerta mínimo. Mas o que era deveras preocupante tinha a ver com a situação explosiva que se vivia entre a Índia e o Paquistão e na não muito distante província da Coreia – com a China logo ao lado – e no terrível caos que se vivia em muitos países árabes e em toda a margem sul do Mediterrâneo, três meses após a intervenção unilateral dos EUA na Síria: o anúncio do fictício cometa em provável rota de colisão, a projecção do impacto do mesmo para a região do Pacífico e a prevista comunicação do Presidente norte-americano que nunca mais se concretizava, só tinham ajudado a aproximar e a ligar o rastilho à pólvora. Agora era só acender.

 

Fim da 3.ª parte de 8

 

(imagens – retiradas da Web)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 15:54

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