Um espelho que reflecte a vida, que passa por nós num segundo (espelho)

19
Dez 14

A principal atracção do Sistema Solar tivera sempre como foco principal um ponto perdido no seu espaço e localizado nas proximidades da sua estrela de referência: como corpo celeste quente e constantemente bombardeado por partículas mortais, a Terra oferecia aos seus visitantes um palco viciante de morte e de sexo.

 

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Imaculada Conceição e gémeos Andrade

 

Numa das janelas uma mulher olhava-os fixamente, provavelmente surpreendida e de boca aberta, com tudo aquilo que antecipava. Segundos depois uma porta abria-se (na fuselagem do veículo), surgindo a mesma mulher com a sua boca expressiva, rodeada por dois gémeos identicamente talentosos. Autorizados pelo recuo estratégico do trio ainda espreitaram para o interior da esfera, mas nada se salientando no espaço e sem motivos que os motivassem, viraram as costas e regressaram ao seu trajecto. Sentindo-se insultada Conceição chamou a si os dois gémeos e logo ali os despachou. Atrás de si fechara a porta e concluído o coito na íntegra, sentara-se no seu lugar e aguardara: ao canto os gémeos Andrade sorriam, ainda com os seus pénis erectos e com a bomba (de ar) colocada em segurança na sua mão esquerda.

 

Enquanto se afastavam do local os dois amigos momentaneamente abandonados ainda ouviram por instantes alguns gritos vindo do veículo, sobrepondo-se ao som da música que também escapava para o exterior e levando-os por momentos a pararem e a darem mais uma olhadela para trás. Talvez devido à agitação que se desenrolaria no seu interior a esfera acabou por rodar um pouco, invertendo a sua posição e acabando por se imobilizar junto de um tronco de um medronheiro já morto mas que insistia em manter-se de pé. Aí a música parou e tudo mergulhou de novo no silêncio. Dirigiram-se então para um caminho que descia um pouco mais a encosta e aproveitando uma rara abertura no céu por onde alguns raios do Sol ainda conseguiam passar, decidiram arriscar um pouco mais e dar uma vista de olhos nas proximidades.

 

O frio continuava a sentir-se intensamente nos seus corpos apesar do dia estar ligeiramente mais suportável e luminoso (efeito originado pela passagem através do céu quase todo encoberto, de mais uns quantos raios de Sol), com o percurso a mostrar-se em certos locais um pouco escorregadio e inesperadamente perigoso: mas o tempo seco e o vento frio que se fazia sentir tinham efeitos terríveis sobre eles, não deixando os seus corpos descansar um segundo que fosse das exigências extremas impostas pelo tempo. Andaram sempre muito vagarosamente durante cerca de meia a hora, parando já eram 10.30 junto às paredes exteriores de uma casa rural abandonada e construída junto a um afloramento de rochas de grande e média dimensão. Ao abrirem uma porta junto a um pequeno barracão construído em tijolos mas já muito danificado e cheio de fendas, foram surpreendidos pelo aparecimento de umas pequenas escadas que desciam para o interior da terra e que pelos vestígios que ali se encontravam deveriam ir dar a uma cave onde os anteriores proprietários provavelmente guardariam alguns dos seus bens mais preciosos.

 

Ou seja comida e bebida. E entusiasmados com essa possibilidade, não demorou muito tempo a vermos os dois a descerem à cave, iluminando o acesso com a lanterna do Verde. Acabaram a curta descida e viram-se então no interior de uma gruta subterrânea com sinais claros de abandono (bastante prolongado), dispondo dumas quantas filas de garrafas ainda intactas, meia dúzia de recipientes que não sabiam ainda o que continham e logo à sua frente uma pequena secretária com copos cinzentos (de tão sujos que estavam) e alguns papéis já ressequidos e aí abandonados. E mais ao fundo à direita vislumbrava-se uma porta mais pequena. Ao lado mesmo diante da secretária uma fotografia chamou-lhes a atenção: uma bela e esbelta mulher expondo como um troféu todos os seus principais atributos sexuais, olhava-os de uma forma incisiva e provocatória enquanto nos informava que estávamos em Julho 1997, qual a melhor marca de pesados e a morada da melhor oficina e dos experientes mecânicos.

 

Tinham ali vinho e alguns produtos agrícolas armazenados. Poderiam estar bons ou nem sequer serem já comestíveis. Ainda assim recolheram umas garrafas, recolheram uns restos de cereais que talvez pudessem aproveitar e maravilha das maravilhas umas latas de conserva que se encontravam num móvel da parede. Antes de partirem foram ainda dar uma vista de olhos à outra porta existente na cave. Ao mexerem na maçaneta da porta ela desfez-se e para além dela nada viram: uma extrema escuridão escondia o seu interior ao mesmo tempo que uma brisa se escapava dele atingindo-os directamente na cara. Deixaram ficar o resto para depois e puseram-se de regresso ao local onde tinham pernoitado.

 

O veículo encontrava-se ainda no local mas já não se ouvia nada. Entretanto durante a manhã o dia acabara por voltar a escurecer e pelo panorama que se via a norte vinha aí tempestade. Aceleraram um pouco mais os seus passos e pouco tempo depois estavam de novo à porta da habitação. Educadamente bateram à porta e chamaram pelo Verde. Quem lhes abriu a porta foi um dos gémeos Andrade, apresentando-se um pouco alterado mas ainda de pénis erecto. Na sua mão direita segurava ainda a bomba (de ar), enquanto respirando de uma forma anormal e ofegante nos compelia a entrar: o seu irmão gémeo jazia no chão com um grande buraco bem visível no meio das suas nádegas, desaparecendo rapidamente e muito perto de ficar completamente vazio.

 

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Afro e o seu Negro

 

A Terra fora devastada sem que nada o fizesse prever. A queda imprevista de um meteorito de média dimensão em pleno oceano Árctico acelerara o processo já em curso de desestabilização ambiental do planeta, promovendo inicialmente a libertação de maiores quantidades de metano (vindo das camadas profundas do solo polar) e simultaneamente a subida da água dos oceanos. O degelo fora o episódio que originara o fim da anterior linha de costa e as erupções crescentes e cada vez mais violentas registadas no Círculo de Fogo, tinham acabado por completar o cenário de tragédia eminente.

 

E com o grande terramoto de 2017 na Califórnia e o recrudescimento da actividade na caldeira de Yellowstone, o guião do filme tornou-se definitivamente inevitável: parte da costa ocidental dos EUA simplesmente desaparecera, ilhas vulcânicas como o Japão tinham sido completamente engolidas pelo mar (fazendo-nos recordar a lendária Atlântida e questionarmo-nos se a história teria mesmo um trajecto circular repetitivo), regiões inteiras e extremamente populosas da Ásia tinham desaparecido sob a força de furacões, tsunamis e outros fenómenos atmosféricos de extrema violência e para concluir (e compor o ramalhete) um Inverno Brutal instalara sobre a Europa e até o vulcão de Monchique finalmente se manifestara: numa noite de Inverno as fontes termais das Caldas de Monchique tinham repentinamente secado, a terra na região tremera anormalmente e num ponto da costa algarvia a lava reaparecera. Um túnel subterrâneo já conhecido e até aí inactivo, transportara as lavas produzidas no Barrocal algarvio do interior até à costa. E de seguida viera este novo período glacial.

 

Hipólito e Tiago entraram na habitação e viram logo que a bela Ella não estava presente. O Verde encontrava-se estendido no colchão completamente nu, enquanto ia fumando um cigarro: pelo aspecto parecia bem e satisfeito, incrivelmente não demonstrava ter frio e ao contrário deles (praticamente congelados e mal se podendo mexer) abanando cadenciadamente a perna direita, enquanto ia trauteando (mal) uma canção conhecida – Sex & Drugs & Rock & Roll de Ian Dury. Questionaram-no então sobre o paradeiro de Ella.

 

Enquanto me levantava olhei para o Hipólito e para o Tiago. Via-se que tinham rapado um bom bocado de frio e sentia-me culpado por simplesmente os ter ignorado. Mas aquela fêmea em pleno exercício de cio pusera-o completamente louco e o encontro nunca previsto, ainda mais o enlouquecera: a suavidade da sua pele e a firme rigidez das suas principais protuberâncias, por tão bem torneadas e divididas, ainda mais o tinham excitado (e colocado em ponto de erecção), perspectivando por trás e entre as suas belas coxas musculadas e bem afastadas, uma densa floresta húmida e palpitante ansiando por receber a semente – em penetração profunda, em colisão lateral e com impacto frontal. Com Ella ofegante a dizer sorridente e enquanto a penetrava simetricamente, que qualquer buraco negro presente poderia ser uma porta para outro mundo.

 

Vieram então os dois ter comigo e enquanto me vestia e punha mais alguma lenha na lareira, falei-lhes. Informei-os logo da ida de Ella até ao seu veículo e de que como aqui ficara à espera do regresso deles. Pelos vistos algo de anormal acontecera na ausência da mulher, como todos podiam verificar pela presença dos seus dois acompanhantes. Também o incomodava a tempestade que aí vinha. Aliás fora Ella que reparara nela à saída, mostrando-se estranhamente preocupada e avisando-me de que depois falaria. Nem percebi bem de quê. E claro que tivemos que falar do que falaríamos a seguir. Pouco passava das 13:00 quando ouvimos um novo som agora vindo aparentemente dum nível superior (surgindo do lado contrário ao local onde se encontrava o veículo de Ella), imediatamente seguido por um curto silvo e por um ténue (mas ainda assim audível) ruído de impacto.

 

Os dois acompanhantes de Ella já se tinham retirado da habitação onde se encontravam, quando esta regressou agora acompanhada por mais dois elementos: uma loura de lábios vermelhos e carnudos e um negro que para espanto deles mal entrou fechou a porta atrás de si, despiu-se da cabeça aos pés e foi colocar-se mesmo coladinho à lareira. Com um dedo fez sinal a Ella e convidou-a para uma rapidinha. Os outros poderiam ficar a olhar, não se importava e para ele como assim até se podiam juntar. Ella sorriu enquanto se aproximava luminosa e contorcendo-se sensualmente dele e então, dando-lhe um beijo na face acariciou-lhe suavemente o seu pénis, enquanto ele em troca lhe devolvia a saudação, lambendo por momentos as pontas rígidas dos mamilos desta. Mas não havia tempo a perder, já tinha tudo combinado. Apontou então para a loura de lábios vermelhos e carnudos, apresentou-a como chamando-se Afro e deu-nos como destino o Bordel. Cumprimentou todos com o seu olhar não deixando de se fixar de uma forma visível, deliberada, sem respeito e claramente às claras, o seu interesse no macho alienígena.

 

Fim da 2.ª parte de 4

 

(imagens – Web)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 20:58

21
Nov 11

Santa Santinha

 

Os milagres acontecem quando menos se espera – acordados ou a dormir só o tempo nos mata.

A Santa abriu os olhos e olhou-me cheia de amor.

Fechei a visão, pensei neste momento e com olhos cheios de lágrimas, entrevi-a numa paisagem idealizada só para mim.

Ela estava ao fundo sentada no baloiço, abraçada ao animal que se sentara no seu colo maternal, irradiando luz e calor.

A Santa levantou então o braço com suavidade e elegância; e com convicção e fervor apontou-o para mim.

Não soube o que fazer quando surgiu o momento e na sequência seguinte, já não a vi sentada no baloiço, que lá continuou com o seu movimento constante, vazio e oscilante.

O espaço tridimensional só pode ser ocupado por um objecto com as mesmas referências ou então, contem o vazio. A outra alternativa será provavelmente a da existência de mundos paralelos, onde provavelmente a Santa se refugia, antes de arranjar forças para mais uma vez nos visitar.

 

Mundo Paralelo

 

Um local só é visitado uma vez na vida; se desperdiçarmos o espaço a explorar que nos é fornecido num determinado ponto do nosso percurso, ignorando que cada um de nós é a referência de um plano intersectando o espaço que o contem, não poderemos pretender atingir a compreensão de tudo o que nos rodeia, se não colaborarmos sem restrições, na sua preservação – o mundo antigo que nos criou, merece o nosso respeito!

Uma Santinha é um ser humano racional em extinção face aos avanços da ciência e da tecnologia criada pelo Homem, que ainda coloca à frente dos interesses de certos indivíduos de uma determinada raça superior e com capacidade de pensar e organizar unilateralmente o mundo, o poder supremo da Natureza que nos criou e transformou e que um dia se quiser/quisermos, poderá continuar o seu caminho sem nós.

Seremos nós, mais uns dinossauros?

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 12:39

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