Um espelho que reflecte a vida, que passa por nós num segundo (espelho)

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Out 14

O combate contra o EBOLA devia ter sido (desde o início deste novo surto) assumido pela comunidade internacional (com a OMS à cabeça), tendo como único objectivo a imediata e eficaz protecção das populações locais mais afectadas pelo vírus. Mas como era em África e se tratava de um problema crónico e regional tal não sucedeu. E chegados a Julho o novo EBOLA cresceu perigosamente (a intervenção deveria ter sido levado a cabo três meses antes) e então o vírus caiu-nos subitamente nas mãos: um caso na América do Norte (mortal) e outro na Europa (internado).

 

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Evolução do número de mortos provocados por este novo surto do vírus EBOLA
(em quatro dos países africanos mais afectados; não inclui outros países próximos – com indicação de casos de infectados, como o Senegal e a R. D. Congo)

 

Quando observamos na TV as imagens vindas de África tendo como referência a rápida (e mortal) disseminação do vírus EBOLA, ficamos espantados com a reacção e forte presença da população africana em torno de qualquer caso detectado pelas autoridades sanitárias locais, demonstrando com a sua forte presença e envolvimento estarem muito interessados (e nada preocupados) em observar tudo o que se passa em cada incidente ocorrido: tal e qual como acontece em Portugal quando ocorre um acidente automóvel, em que uma multidão de mirones cerca por completo (por vezes prejudicando o trabalho das equipas de socorro) o acontecimento. Só que se em Portugal a presença do mirone no local do incidente não comporta nenhuns riscos, no caso de África a sua presença pode ter consequências mortais.

 

Então qual será a razão desta despreocupação para nós considerada irresponsável, por parte da população local – especialmente quando as reportagens focam os três países mais violentamente atingidos e que são a Serra Leoa, a Libéria e a Guiné? A resposta sobressai de imediato após rápida visualização da tabela seguinte:

 

Principais causas de morte em África

 

Ordem Doença Mortes
01 HIV/AIDS 1.088.000
02 Infecções Respiratórias 1.039.000
03 Diarreia 603.000
04 Malária 554.000
11 Tuberculose 218.000
... EBOLA 3.000

(fonte: WHO2012/EBOLA 2014

 

Comparando os números da tabela é fácil de constatar a diferença registada entre o número de mortos (registados em 2012), num caso causados por infecção HIV/AIDS e no outro pelo vírus EBOLA (em 2014): com o HIV/AIDS a ter uma taxa de mortalidade superior a 350x ao EBOLA. E mesmo em infecções como a tuberculose com cerca de 70x mais casos registados relativamente ao EBOLA. Convêm no entanto registar que o ano de 2014 ainda não acabou (a OMS prevê – se este ritmo se mantiver – 20.000 mortos provocados pelo vírus até ao fim deste ano) e que a população dos três países africanos (mais) atingidos, representa apenas 2% da população do continente (África representa 1/7 da população mundial).

 

Para memória futura este novo surto do vírus EBOLA iniciou-se no fim do ano passado (Dezembro de 2013), sendo apenas “tomado a sério” e assinalado três meses depois (Março de 2014). É o surto recordista em número de infectados (até ao momento mais de 8.000) e de mortos (até ao momento mais de 4.000).

 

(imagem – Web)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 21:47
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